Como a autoestima pode interferir no seu desempenho profissional

Por ser jornalista e editora deste Portal Liderança e Negócios, recebo muitos livros sobre comportamento no trabalho, liderança, vendas, gestão de pessoas, empreendedorismo e outros de temas afins.

Muitos deles trazem dicas e ensinamentos para o leitor aprender a ser um vendedor de sucesso, um líder inspirador, um excelente gestor de pessoas, um empreendedor inovador, enfim, um profissional com desempenho acima da média.

Acontece que essas dicas mais me parecem promessas daquelas que, ao serem colocadas em prática terão resultado imediato e garantido, mais ou menos como uma receita de bolo que serve para todos.

No entanto, acredito que para dar certo, devemos dar um passo atrás e levar em consideração dois fatores que julgo serem essenciais para todo e qualquer profissional – autoconhecimento e autoestima.

O curioso é que dentre tantos livros que recebo, ainda não teve um que falasse, por exemplo, sobre como o nível da autoestima de uma pessoa pode influenciar no desempenho e posicionamento dela no trabalho, seja ela um líder, um profissional operacional, da limpeza, da diretoria, um estagiário, um prestador de serviço, um terceirizado ou até mesmo o dono do negócio.

Recentemente desenvolvi o programa de um novo projeto da Legado direcionado aos jovens não adotados e que aos 18 anos terão que deixar as Unidades de Acolhimento. O objetivo é promover a eles, acesso ao que todo jovem deve saber para entrar, se destacar e se manter no mercado de trabalho.

Só que, ao pensar na realidade deles e no conteúdo que estava desenvolvendo, percebi exatamente isso, que não adianta dar-lhes as técnicas e outros conhecimentos se o seu íntimo estiver abalado, se suas crenças forem limitantes, se ele próprio não se valorizar, se ele não acreditar em si mesmo.

E, isso não acontece somente com eles. Quem nunca se sentiu assim alguma vez na vida? Não são só eles que têm autoestima baixa, carência ou algum outro temor emocional. Muitos líderes, inclusive, também se sentem assim, muitos colegas de trabalho e até diretores de empresas, em algum momento já se sentiram ou se sentem assim permanentemente – em silêncio, sozinhos, ou buscando ajuda fora do ambiente de trabalho. Basta olhar para os lados, puxar este assunto com alguém e verá que não estamos aqui falando apenas de jovens para adoção.

E como essa baixa autoestima interfere em seu dia a dia no trabalho? Geralmente pela sua autodesvalorização, pela dificuldade de dizer não, de se impor, de colocar e defender suas ideias, entre outros comportamentos nocivos a si próprio – e que abrem espaço para os que têm cargos acima ou apenas por terem um nível maior de autoestima elevada, se sentirem no direito de “crescerem” em cima de você.

Eles não estão errados, mas, o foco aqui é no seu comportamento. Afinal, não temos como impedir que o outro haja conosco da forma como quiserem. O que podemos fazer é agir de forma firme, digna e segura diante do que vier do outro – quem tem autoestima elevada se impõe. Quem tem autoestima baixa, se acovarda, aceita tudo e não se impõe, ao contrário, abaixa a cabeça.

Já vi excelentes profissionais perdendo oportunidades para outros não tão bons quanto, única e exclusivamente por não terem autoestima elevada, por não acreditarem em seus potenciais, em suas capacidades.

Vale, então, começar a observar a si mesmo todos os dias, em todos os momentos, nas pequenas e grandes atividades, nas situações simples e nas mais complexas.

Avalie diariamente: de 0 a 10 qual nível da sua autoestima agora? Sinta, ouça sua voz interior e reflita sobre o que o levou a dar esta nota.

Se foi uma nota que você julgue baixa, reflita novamente e responda: o que você pode começar a fazer agora para elevar sua autoestima?

Em suma: seja qual for a situação em que você se encontrar, se perceba e responda para si mesma. Eu estou me posicionando? Eu estou me valorizando? Eu estou fazendo o que é melhor para mim ou estou me deixando levar pelo que o outro quer, com medo de algum tipo de rejeição?

Isso vale para circunstâncias no trabalho, na família, com o cônjuge, namorado, namorada, amigos, desconhecidos, enfim, em todas as situações e relacionamentos, lembre: você deve se valorizar. Quem se valoriza, se posiciona, se impõe e, além de ter as melhores respostas, geralmente tem o respeito dos outros.

Em outro artigo prometo contar a vocês o que costumo fazer e que tem dado certo para manter a autoestima elevada. Por hoje, o desafio já é grande o suficiente: se observe e identifique o que pode fazer para se manter firme e forte – como deve ser!

Pense nisso e boa sorte!

 

Por Pauline Machado, Personal, Career, Executive e Business Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching, MBA Liderança e Gestão de Pessoas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, certificada pelo SebraeRJ no curso EMPRETEC, desenvolvido pela Harvard University e Organização das Nações Unidas (ONU) e jornalista formada pela Universidade Positivo. Diretora da Legado Coaching e Comunicação, e facilitadora da VendaMais Treinamentos.