Não adotados pelo mercado de trabalho

Há alguns meses venho acompanhando de perto histórias de crianças e jovens que vivem em Unidades de Acolhimento Institucionais para adoção.

Fala-se muito sobre as preferências das famílias por crianças recém-nascidas, do sexo feminino, de pele branca, cabelos e olhos claros.

Fala-se ainda sobre a demora quase que interminável das filas de adoção, que muitas vezes levam mais de cinco anos. Sem falar nas famílias que nem chegam a receber telefonemas das assistentes sociais. Já vi casos como esse na minha família.

Enfim, cada caso é um caso e o deste artigo é sobre o dos adolescentes que também vivem nessas unidades e que ao completarem 18 anos têm, por lei, que deixar os abrigos.

Sobre como ajudá-los ou resolver essa questão ainda poucos falam.

Isso me causa um grande incômodo, pois, me faz lembrar de quando completei meus 18 anos. Eu não era mais uma criança, mas também não era uma adulta. Não estava pronta para assumir todas as responsabilidades que a vida adulta exige. E, olha que, diferentemente deles, eu tinha todo o apoio da minha mãe, avós, tios e irmã.

Por esses e outros diversos motivos, não consigo imaginar como seria, após ter passado uma vida inteira  em um abrigo, ainda ter que me virar sozinha com trabalho, aluguel, lidar com pessoas, relacionamentos pessoais, afetivos e profissionais. Isso sem falar sobre as questões emocionais.

É uma lei muito cruel, fria e racional. A realidade é que, muitos deles, sem opção, voltam a morar com a família biológica ou até mesmo passam a morar nas ruas. A questão é muito séria e alarmante. Deveria haver outras Unidades de transição da vida jovem a adulta, que pudesse preparar esses jovens a seguirem em frente.

Outro fato extremamente preocupante é que, aparentemente, as empresas também não se preocupam com isso, ao contrário do que acontece com os portadores de deficiência física.

Claro, se preocupam porque são obrigadas, já que as que têm 100 ou mais funcionários devem preencher de 2% a 5% por cento dos seus cargos, com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência habilitadas. Ok, é importante também promover a inclusão social dessas pessoas.

O que chamo atenção aqui é para o fato de não haver nada que incentive ou até torne obrigatório que as empresas, sejam elas pequenas, médias ou de grande porte, deem prioridade a esses jovens que já viveram uma vida inteira em busca da oportunidade de terem uma família, tivessem, ao menos, a possibilidade de terem um emprego ou até mesmo um estágio.

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, esses jovens estudam, são inteligentes, bons alunos, gostam de ler e podem, sim, aprender e se tornarem excelentes profissionais. O que lhes faltam, repito, é apenas oportunidade.

Portanto, se você é dono de empresa, responsável pela contratação de funcionários ou gestor de equipes, quando tiver uma vaga para quem está procurando o primeiro emprego, lembrem desses jovens. Procurem as equipes técnicas dessas Unidades de acolhimento, conheça esses jovens, crie um banco de dados, se interesse pelo assunto.

Eles podem ser grandes valores e você, e sua empresa, podem contribuir para que isso se torne realidade.

O programa Jovem Aprendiz, por exemplo, pode ser um passo interessante para ambas as partes, pois, como é um projeto amparado pela Lei da Aprendizagem, tem como objetivo capacitar tecnicamente os jovens para o mercado de trabalho, através de parceria com empresas de grande e médio porte. É o que eles precisam!

Em projetos como esse, o jovem é incentivado a encontrar seu primeiro emprego e, através das leis, têm todos os direitos trabalhistas e previdenciários assegurados, além de ser necessário prosseguir com os estudos.

Vamos pensar a respeito. Vamos pensar sobre o que podemos fazer para termos um País melhor com pessoas melhores. Vamos ajudar a transformar esses jovens em grandes valores humanos. Vamos ajudá-los a terem um futuro melhor!

Por Pauline Machado, Personal, Career, Executive e Business Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching, MBA Liderança e Gestão de Pessoas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, certificada pelo SebraeRJ no curso EMPRETEC, desenvolvido pela Harvard University e Organização das Nações Unidas (ONU) e jornalista formada pela Universidade Positivo. Diretora da Legado Coaching e Comunicação e facilitadora da VendaMais Treinamentos.