Você confia na sua equipe?

Imagine ter de trabalhar com alguém sempre atrás de você, conferindo se está fazendo suas atividades corretamente? Certamente é uma situação além de constrangedora, desagradável. Mas, infelizmente, acontece. E, obviamente, não traz bons resultados.

Veja o relato de uma profissional que trabalha em uma empresa para qual prestamos consultoria há algum tempo.
“Há cinco anos trabalho como vendedora em uma loja que vende aparelhos e serviços de uma operadora de celular. Gosto do meu trabalho, porém, me sinto desmotivada desde que um novo gerente assumiu a loja. Com isso, os resultados das minhas vendas caíram. Acontece que o gerente anterior era, além de nosso amigo, um excelente gestor de pessoas. Sabia como lidar e entender nossas necessidades e habilidades para lidar com os clientes. Cada vendedor é um e, consequentemente, cada um acaba desenvolvendo o seu jeito próprio de vender, sem, é claro, sair dos padrões da empresa. Infelizmente esse gestor pediu demissão para assumir uma equipe de vendas em outra empresa e, em seu lugar, entrou um gerente completamente diferente. Este, que já havia sido vendedor, acha que só ele sabe vender e que por isso, precisa ficar o tempo todo no salão de vendas atrás da gente, inclusive durante a venda, nos ‘ensinando’ a vender. A situação é tão crítica que ninguém consegue ser natural com o cliente. A equipe de cinco vendedores está visivelmente desmotivada e sem saber o que fazer. Para a empresa o que vale são os resultados finais e não como o processo se desencadeia. Como ele acha que não sabemos vender, ele também vende, ao modo dele, mas, vende. Com isso, a loja, mesmo aos trancos e barrancos, consegue atingir sua meta. Eu não sei se estou errada, mas, para mim, isso não é tudo. Atingir a meta, lógico, mas também é preciso que todos se sintam felizes e satisfeitos com eu trabalho. Não sei mais o que fazer para continuar feliz em meu trabalho, mesmo estando com esse gerente que não confia e não sabe liderar sua equipe”.

O relato acima aponta alguns fatores que resultam em doenças do trabalho, como a competitividade extremada por parte do gestor e a experiência da solidão.

No momento em que o atual gestor, que já foi reconhecido como um excelente vendedor, não permite que a equipe de vendas desempenhe suas tarefas sem sua interferência, ele passa a agir não mais como um gestor, e sim, como um supervisor ou “olheiro” em busca de eventuais erros, ou quem sabe, como um dos maiores rivais da equipe.
Tal comportamento pode ser reconhecido como o que chamamos de competitividade extremada, em que não há relação com o outro de cooperativismo e reciprocidade e, sim, de rivalidade, perdendo o senso de coletividade, dando espaço para aumentar o índice de isolamento, solidão.
Tais problemas ainda são frequentes nos ambientes corporativos e no varejo. É comum observar gestores ignorando as demandas dos clientes interno, só cobrando resultados de maneira intransigente, sem se relacionar e confiar em sua equipe.
Uma alternativa para solucionar situações como essa é adotar medidas que aproximem as pessoas, que melhorem o relacionamento no ambiente de trabalho, e isso se dá fundamentalmente com o exercício de reconhecer cada um como de fato é, e não generalizar a gestão em um formato padrão.
Outra prática importante, sobretudo quando o gestor assume uma equipe com pessoas que já trabalham há algum tempo juntas, é a do feedback, desde que ambas as partes estejam receptivas para dar e ouvir críticas, por isso, a importância de preparar o ambiente de trabalho para esse tipo de estratégia. Quando a equipe se sente à vontade com o gestor e vice e versa, os resultados fluem com naturalidade.
O tema é vasto e, claro, depende de cada caso, mas, de modo geral, aqui vão algumas sugestões para melhorar o relacionamento entre os gestores e sua equipe:
– Crie canais de comunicação e relacionamento;

– Ouça a equipe: sugestões, críticas, observações, dúvidas, etc;

– Conheça e reconheça individualmente cada funcionário e cada situação;

– Identifique as habilidades técnicas e motivacionais de cada um;

– Adote e mensure indicadores de produtividade coletivos e individuais.

Por fim, insisto: invista nas pessoas que trabalham na sua empresa. São elas que fazem o seu negócio um sucesso, ou não.

 

Por Pauline Machado,  jornalista, editora do  Portal Liderança e Negócios. É diretora da Legado Consultoria e Comunicação, MBA Liderança e Gestão de Pessoas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e certificada pelo SebraeRJ no curso EMPRETEC, desenvolvido pela Harvard University e Organização das Nações Unidas (ONU).