Líder que rouba as ideias da equipe

Dizem que tempo é dinheiro; mas, e uma boa ideia? Também, não é mesmo? Tanto é que, em determinadas empresas há gerentes que roubam as melhores ideias de seus colaboradores, como conta o nosso leitor. E você, o que faria se estivesse nesta situação? O entregaria como ladrão de ideias? Veja o disse o nosso leitor e o que sugere o publicitário e diretor da agência Era, MP, Marcelo Ponzoni, sobre o assunto.

“Há pouco mais de dois anos, trabalho em uma empresa de comunicação e sempre que tenho uma ideia nova, tanto para melhorias internas, de interação entre todos da empresa, quanto ideias sobre novas estratégias para angariar novos clientes e para melhorar nosso trabalho com os clientes de carteira, comunico ao meu gerente imediato. Porém, de um tempo para cá, venho percebido que, algumas das minhas ideias estão sendo implantadas, mas não recebo nenhum crédito sobre isso.
Percebi que meu gestor imediato passa à frente minhas ideias à diretoria como se  fossem oriundas da criatividade dele. Não sei o que faço para que isso  pare de acontecer. Não falo mais nada pra ele, mas ao mesmo tempo me sinto preso, sem ter para onde crescer. Mas, não sei se falar com meu diretor sobre o roubo das ideias seria ético da minha parte. Não sei como serei visto na empresa por estar apontando um erro que não é meu, mas sim, do meu líder. Aliás, isso é atitude de um líder? Acredito que não”.
Os maiores problemas no relato do leitor é o fato dele não se sentir à vontade para apontar o erro do líder imediato, e, claro, a postura nada ética do gestor, afirma o diretor da Rae,MP. “O gestor nunca deveria levar crédito pela ideia ou execução no lugar de um subordinado – no máximo, defenderia a ideia como partida do grupo. Caso haja elogios ou críticas às ideias do verdadeiro autor delas, o gerente deveria repassá-las ao subordinado e não levar o crédito e o feedback apenas para si. Essa sim, deveria ser a postura correta de qualquer líder”.
Mas, o que fazer na situação do leitor?
Segundo Ponzoni, o funcionário deve manter-se convicto de seus ideais e de sua proatividade em melhoras na empresa, abordando seu gerente quanto à sensação de incômodo, e até levar a situação, sim, a seu diretor, para que ele tome a atitude mais correta quanto a ele e ao seu gerente. Outra sugestão é conversar francamente com o gerente para detectar se este é um comportamento antiético que pode ser mudado com o tempo. “Notando a má-índole do gerente, o leitor pode levar a questão ao diretor, como dito anteriormente, para que ele resolva da forma mais prática à empresa, ou sair da empresa para outra cuja filosofia de trabalho se encaixe com seus ideais”, complementa.
Já para este tipo de gerente o conselho é: “ que repense sua conduta como líder e reflita sobre a falta de profissionalismo que o roubo de ideias e de autoria causam a um profissional de qualquer área do mercado”, aconselha.
A solução para esta confusão? Uma conversa franca e simplificada, garante. “Uma conversa franca bastaria no caso de ambos possuírem ética profissional e o objetivo de resolver com praticidade e eficiência os problemas que os envolvem. Caso um dos dois apresente má-fé na questão, o diretor deve ser envolvido para que ele aponte as expectativas da empresa quanto ao problema e sugira o melhor plano de ação no relacionamento entre os dois profissionais”, finaliza.

Por Pauline Machado,  jornalista, editora do  Portal Liderança e Negócios. É diretora da Legado Consultoria e Comunicação, MBA Liderança e Gestão de Pessoas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e certificada pelo SebraeRJ no curso EMPRETEC, desenvolvido pela Harvard University e Organização das Nações Unidas (ONU).